Sexta-feira, Novembro 20, 2009

A minha passagem pela tal escola de inglês. (Não digo o nome porque até pode parecer mal, só posso dizer que começa por Wall e termina em Street)

Capítulo I

Começamos com uma semaninha de formação. O foque vai todo para as chamadas apresentações. O que são apresentações? É quando a assessora didática se dirige a um visitante do centro, lhe mostra e explica como as coisas funcionam e depois se senta com ele no gabinete a tentar vender um curso de 8 níveis, com a duração de 24 meses e o custo (ai, custo não, que coisa. Valor!) de 89€ por mês.
Tudo muito bem tudo muito bonito. Os primeiros dois dias correm bem, ao terceiro dia apresentam-nos as directoras dos centros (os tais que começam por Wall e terminam em Street) que se sentam à nossa frente e dizem vá, toca a simular apresentações para nós vermos, e nós os sete, os formandos, trememos por dentro porque é tudo muito novo e achamos que ainda não estamos preparados para aquela pressão toda, mas lá passamos um dia inteiro a simular apresentações. Corre melhor a uns que a outros, como é normal. Ao longo do dia vamos vendo quem não tem mesmo jeitinho nenhum para aquilo e que, obviamente, terá de ficar para trás.
No quarto dia é mais do mesmo: mais apresentações que ontem as directoras não gostaram de nenhum de vocês. No quinto dia, duas pessoas foram escolhidas para ficar a trabalhar e uma foi mandada para casa. Restavam quatro. Eu e mais três. Estávamos nervosíssimos porque tínhamos chegado ao último dia de formação e ainda não sabíamos se passávamos ou não. Vamos fazer uma coisa que nunca fazemos. Vamos estender a formação até segunda-feira para vos dar a oportunidade de mostrarem o que valem, visto que as vossas apresentações têm sido inconstantes, ou muito más ou muito boas.
Passa-se o fim-de-semana e na segunda-feira lá estamos nós. Dois homens com imensa experiência na área comercial e duas mulheres, uma com alguma experiência na área comercial e eu, a mais novinha do grupo, sem experiência em coisa nenhuma relacionada com aquele trabalho. Um dos senhores desistiu mal lá pôs os pés e o outro desistiu lá mais para o fim do dia. Restávamos eu e a minha colega de formação, que entretanto já se tornou amiga. Mais uma ronda de apresentações...
Vamos ser muito sinceros, vocês desiludiram-nos imenso, esperávamos muito mais de vocês depois de algumas apresentações bastante fortes que fizeram. Isto hoje não vos correu nada bem. A solução mais fácil seria mandar-vos às duas embora, mas vamos arriscar e dar-vos uma oportunidade. Vão começar a trabalhar amanhã e ficam um mês à experiência. Entreolhámo-nos e, a medo, lá aceitámos a proposta.

Capítulo II

Na terça começámos então a trabalhar. Eu num centro e a outra sobrevivente noutro. O nervoso miudinho estava lá mas, com o passar do dia, lá se foi dissipando. No espaço de 2h apercebi-me que há muito mais coisas que se fazem naquela função, coisas das quais ninguém nos falou na formação e que temos um mês para assimilar.
Observei o trabalho das outras assessoras que lá me iam dando umas dicas para convencer os alunos a assinarem um contrato de dois mil e tal euros, enquanto iam rematando que este trabalho não é aconselhável a cardíacos. Há aqui meses em que eu tenho de andar a calmantes porque isto de trabalhar na área comercial é muito inconstante. Temos de trabalhar por objectivos, o nosso ordenado e o nosso futuro na empresa depende dos objectivos alcançados. Eu lá ouvia e engolia em seco, que calmantes quero-os bem longe de mim.
Ao longo dos primeiros dois dias o que mais ouvi (enquanto continuava a fazer as tais simulações de apresentações para ir treinando, para quando fosse fazer uma a sério já me sair tudo direitinho) foi: Tu tens de usar duas coisas a teu favor que nunca usas! Uma é a tua figura. Tu tens uma cara querida, as pessoas quando te vêem param e ficam à espera de te ouvir falar, e é raro termos esse poder sobre as pessoas. A outra coisa é o teu sorriso. Quando sorris desarmas a pessoa que tens à tua frente, ficas completamente diferente quando sorris e é assim que tens de criar empatia com as pessoas. Quando fazes as apresentações simuladas ficas tão tensa e com uma cara tão séria que parece que vais despedir alguém. Sim disseram-me isto vezes sem conta. Para além de ter de saber, no espaço de uma semana e pouco, todo o funcionamento e manhas daquela casa ainda tinha de debitar tudo com um sorriso.
No terceiro dia lá me puseram com um aluno a fazer uma apresentação real. Fiz tudo direitinho, fartei-me de sorrir até fiz umas piadas. Mas o moço acabou por não assinar coisa nenhuma porque afinal nem sequer morava ali ao pé e só queria mesmo fazer os 15 dias grátis. Parece que o sorriso não chega para pôr as pessoas a desembolsar 89€ por mês.

Capítulo III

Chegamos então ao quarto dia. Hoje.
Estou a gostar bastante de te ver. Estás mais solta, mais desinibida, sorris mais, mantens contacto visual e crias empatia que é isso que se quer. O próximo aluno que entrar é teu, fazes tu a apresentação. E eu toda contente, claro está. Ao fim de quatro dias já tinha evoluído e até já sorria, tão linda que eu sou que até consigo sorrir. Fui almoçar, toda satisfeita porque agora era uma pessoa que criava empatia, e quando vim do almoço a directora do centro disse que queria falar comigo.
Pois, tu não tens o perfil indicado para este trabalho.
(Silêncio pesado. Ouve-se o barulho do vento lá fora e cá dentro a resistência das lâmpadas, enquanto na minha mente soou um estridente OI?!)
Tu és uma pessoa esforçada, muito simpática e que aprende rápido, mas não estás a evoluir ao ritmo que nós queremos. Nós realmente já vos tínhamos dito que neste mês à experiência iriam ter de aprender tudo muito rápido e nós vemos que não o estão a fazer. Para além disso mostras uma grande indefinição quando te perguntamos se é mesmo isto que queres fazer da tua vida e tu dizes que não sabes.
Pois... como já respondi das outras 47 vezes que me perguntaram isso num espaço de quatro dias: eu saí da faculdade há seis meses. Nunca fiz isto, nunca trabalhei na área comercial por isso não posso dizer que não me imagino a desempenhar esta função nem que sim senhor que é isto que eu quero fazer até bater a bota. Se nunca passei por esta realidade a única resposta que posso dar é a verdade e a verdade é que não sei e não é num espaço de 4 dias que vou passar a saber.
Pronto, mas o melhor é não prolongarmos mais isto. Na próxima semana passas cá para vires buscar o teu ordenado destes quatro dias. Entretanto podes arrumar as tuas coisas e ir embora, não faz sentido ficares cá até ao fim do dia. De qualquer forma nós pagamos-te o dia de hoje todo.

Fim.

Agora vamos lá ser racionais e falar como gente grande: MAS VOCÊS ACHAM ISTO NORMAL?! Então uma pessoa antes de almoço é uma linda que sorri e cria empatia e está a evoluir a olhos vistos, qual rebento a dar os primeiros passos, e três horas depois já não tem o perfil indicado? Mas que rebaldaria vem a ser esta?
Primeiro espezinham-nos e dizem que não valemos nada e que não dão nada por nós para aquelas funções, mas depois dão-nos uma oportunidade, tipo esmola, e ao fim de quatro dias dão-nos um pontapé no traseiro. Sim estou a falar no plural porque com a outra rapariga que passou comigo fizeram o mesmo. De sete pessoas ficaram duas e uma delas nem sequer sabe quando começa. Portanto, na prática, acabou por ficar apenas uma!
O choque foi tão grande, mas tão grande, que eu nem tive tempo de ficar triste. Esta conversa e todo o processo de selecção para este lugar foi tão estúpido e sem o mínimo cabimento que ainda agora estou a tentar perceber o que é que aconteceu exactamente; o porquê de, de repente, ter deixado de servir para o papel.
Um mês de experiência, disseram eles, para vermos o que vocês valem. Como é que ao fim de três dias e um quarto chegam à conclusão que não servimos? Melhor (ou pior, depende do ponto de vista) como é que de manhã somos uns lindos e à tarde correm connosco assim daquela maneira? Esta foi inédita. Pela primeira vez fui despedida e sem razão absolutamente nenhuma. Deixa cá ver para que lado está o vento. Está para Este, então é melhor pôr a novata a andar que ela não dá para isto.
Se até aqui houve um dia ou outro em que me queixei que desde que tinha saído da faculdade ainda não tinha tido férias e ainda não tinha conseguido descansar, agora isso não vai ser problema.

Segunda-feira, Novembro 16, 2009

Das carreiras - parte II

Pois que a minha vida levou mais uma reviravolta. E não vai ser a última, de certeza.

Pois que descobri que trabalhar em social, ter que conhecer metade das pessoas que povoam o nosso mundinho cor-de-rosa português, estar cinco horas seguidas numa discoteca a entrevistar pessoas sem grande coisa para dizer, fazer perguntas constrangedoras sobre as suas vidas pessoais, dormir pouco e não ganhar muito bem não é para mim. Até podia conseguir aguentar tudo isso se me pusessem a trabalhar na área de crime ou política, a escrever sobre coisas que realmente têm significado para mim. Cheguei a pôr essa hipótese aos senhores lá do jornal, uns disseram que sim senhor, que fazia todo o sentido, mas houve outros que disseram que era só o que faltava, tens um mês para provar que mereces estar aqui. Isto ao fim de quatro meses.
Uma semana depois disto recebi um telefonema de uma escola de inglês muito conhecida onde do outro lado me perguntavam se estaria interessada em ingressar na equipa de assessores didáticos lá do sítio. Ia ganhar melhor, ter horários fixos e não ia trabalhar em discotecas até às tantas. De um lado tinha instabilidade e a escrita, que sempre fez parte de mim e sempre foi uma coisa que gostei de fazer, do outro tinha a estabilidade e fazer uma coisa que nunca tinha feito na vida. Pesei prós e contras e decidi dar o passo em frente, dar o passo para a estabilidade e para o desconhecido.

Saí do jornal há uma semana. Custou, não foi fácil, não foi uma decisão tomada de ânimo leve. Não por sentir que ia ter saudades daquele tipo de trabalho "cor-de-rosa" - que de cor-de-rosa não tem nada, pelo menos para mim - mas pelas pessoas que, aos poucos, fui conhecendo. Custou-me imenso ir ter com a pessoa que me levou para ali e dizer-lhe que me ia embora, pelas razões que ele já conhecia. Custou-me porque não o queria desiludir e custou-me porque foi dos poucos que estariam dispostos a apostar em mim (mais uma vez, mas agora num registo diferente) e pôr-me numa secção do jornal onde eu ia realmente gostar de estar e onde ia poder mostrar muito mais de mim. As despedidas também me custaram, como me custam sempre, saí com aquele nó na garganta porque sou uma lamechas e me emociono com tudo e porque realmente criei laços com aquelas pessoas que me ajudaram imenso. Tenho esperança, e saí de lá com essa convicção, que não vou perder o contacto com eles e que o dia 6 de Novembro não foi a última vez que os vi.

Depois das despedidas ocupei a semana que passou com a formação para o lugar de assessora didática da tal escola. E o que faz uma assessora didática? Basicamente é a pessoa que recebe os novos alunos, lhes mostra a escola, lhes explica o método de ensino e que tem de ter muito paleio e jogo de cintura para os convencer a assinar um contrato de dois anos com a escola. Esta última parte é a mais difícil e foi para isso que eu e mais seis andámos a ter formação. Dois ficaram pelo caminho e o resto foi aprovado. Nunca estive sob tanta pressão como na semana que passou. Tive de assimilar imensa coisa e pôr tudo em prática ao fim do terceiro dia. Não foi fácil, não foi nada fácil e não é agora, que me escolheram, que as coisas vão abrandar. Eu e mais três vamos estar um mês à experiência para ver como as coisas correm. Se correrem bem fico mais uns quantos, se correrem mal vou recambiada para o fundo de desemprego e fico em casa a enviar currículos.

Tenho medo, que tenho. Estou assustada, que estou. No jornal aprendi que preciso de uma coisa estável e onde possa ter tempo suficiente para a minha vida pessoal. Agora vou para um sítio onde tenho, de facto, mais tempo para a vida pessoal, mas onde vou continuar em chão movediço. Afinal de contas vou estar um mês à experiência, o que significa que se ao fim de umas semanas não gostarem de mim, se ao fim de umas semanas não vender a quantidade de cursos pretendidos, termina o contrato.
Os meus sentimentos oscilam entre o apreensiva, o assustada e a esperança de que tudo corra pelo melhor, e se não correr também não é grave porque ainda sou nova e vão-me aparecer muitas oportunidades, bla bla bla. A verdade é que num sítio ou noutro a instabilidade é uma constante, embora agora tenha contrato.

De momento há duas preocupações que me ocupam a mente: o que é que eu posso fazer para controlar os nervos amanhã e não meter os pés pelas mãos, de forma a que o mês à experiência não se reduza drasticamente a um dia e, a segunda coisa: mas o que é que eu vou vestir?! É que se até aqui eu até podia ir de chinelos para o trabalho, agora há uma regra: nunca levar calças de ganga, que é precisamente a peça que mais há no meu armário. Está visto que no próximo fim de semana tenho de ir às compras.

Amanhã há que respirar fundo, as vezes que forem necessárias, e "agarrar o touro pelos cornos".

Domingo, Novembro 08, 2009

Das carreiras

No ionline fizeram destaque a um artigo brasileiro acerca da importância dos testes psicotécnicos. Se há uns anos esses testes indicavam qual a profissão ideal para um jovem tendo em conta os seus hobbies e interesses, hoje em dia acrescenta-se-lhe a personalidade do garoto.
Mas as diferenças não se ficam por aqui. Antes um teste vocacional levava cerca de uma hora a ser feito, hoje os testes são mais específicos, levam mais tempo - um a dois meses - e mais dinheiro. No 9º ano os testes psicotécnicos foram gratuitos e feitos no tempo da aula de educação visual. Actualmente são coisas que se fazem na privacidade do escritório de um psicólogo e, só por isso, já têm um simpático valor acrescido.
Para quem não quer gastar dinheiro, nem tem muito tempo para perder, o site da revista Veja tem à disposição dos leitores um teste simples que indica quais as profissões indicadas para cada um de nós. No 9º ano fiquei a saber que a minha área era, sem dúvida, as letras e que me devia afastar o mais possível dos números e fórmulas estranhas (nada que a minha pessoa de 14 anos já não soubesse). Hoje fiz este teste e voltei a constatar precisamente o mesmo:


Maior pontuação em C
Facilmente reconhecíveis por seu entusiasmo e interesse nas relações humanas, as pessoas do tipo C têm na intuição o seu ponto forte. Muitas endereçam seu esforço e talento para o desenvolvimento intelectual de alunos e discípulos e o conforto psicológico de pacientes e colegas de trabalho. No grupo dos tipos C, estão as personalidades mais laureadas com o Nobel da Paz e de Literatura.

Carreiras mais apropriadas
• Artista plástico
• Dramaturgo
• Educador
• Escritor
• Filósofo
• Jornalista
• Pedagogo
• Professor
• Psicólogo
• Psiquiatra
• Sociólogo
• Terapeuta ocupacional
• Tradutor

São tudo coisas que eu me imagino mesmo a fazer. Só não concordo com o pontinho que diz "artista plástico", que se há coisa para a qual nunca tive jeito foi para artes visuais. Dramática como eu sou podia muito bem ser dramaturga, metade do trabalho já estava feito. Filósofa também não me parece nada mal. Passo metade dos dias a filosofar para dentro, apesar de ninguém me pagar para isso, o que eu acho mal.

Se passam o dia enfiados num escritório sem saber muito bem o que estão ali a fazer; se acham que estariam muito mais felizes a fazer outra coisa mas não sabem bem o quê, então façam o teste e pode ser que vos ajude a tomar uma decisão.

Entretanto fui avisada pela Bardot que aqui o estaminé faz anos! E, pela primeira vez, ia esquecer-me deste facto importantíssimo. Ora aqui está um hobbie que os psicólogos iriam ter em conta para descobrirem qual a minha vocação.

Hoje o blogue Undiscovered faz três anos. Há três anos que uso as palavras escritas para comunicar o que me vai cá dentro. Há três anos que tenho vindo a descobrir que consigo ironizar a minha escrita e fazer rir quem está do outro lado - um facto que desconhecia por completo antes de abrir as portas desta casa.

E vão três.

Sábado, Novembro 07, 2009

Desilusão

Levanta-se uma pessoa às oito da manhã a um Sábado para ir às compras, na esperança de chegar a casa cheia de sacos e coisas giras, e não vê uma única coisa que lhe agrade. Mentira, vê, mas ou é demasiado caro ou não há no número/tamanho pretendido. Resultado: passei três horas no Colombo e comprei uma camisola na Zara.

Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Mecanismo de defesa?

Não deixa de ser curioso sermos "extremamente bons" quando conhecemos alguém mas quando nos despedimos já ouvimos um "Temos muita pena. Eras relativamente bom...".
Pois, é sempre uma pena perder alguém relativamente bom. É chato, relativo até. Especialmente quando há pessoas que nos continuam a achar extremamente bons, no olá e no adeus.
Será um mecanismo de defesa para se convencerem que a perda não é assim tão má? Ou será que são os outros, aqueles que mantêm a opinião que tinham no início, que são cegos?

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

Anda tudo maluquinho...

Uma aluna brasileira foi agredida verbalmente e humilhada por grande parte dos alunos da universidade UNIBAN por usar um vestido curto. Não há palavras! Os atrasados mentais dos colegas até se chegaram a pendurar nas janelas da sala para a ver a desgraçada assistir à aula... com um vestido curto.
Ora bem... isto aconteceu no Brasil, onde faz muito calor e se vêem imensas mulheres de saias e calções e mostrar os pernões bronzeados. Será que aquela gente nunca tinha visto as pernas de uma mulher? Era preciso aquele exagero todo por causa da porcaria de um vestido? O que é que aquela gente tem na cabeça? E, mais importante ainda, o que é que aquele bando de animais selvagens está a fazer a frequentar o ensino superior? Não era suposto já serem grandinhos e adultos e maduros e estarem ocupados a pensar naquilo que vão fazer com o seu futuro, em vez de maltratarem uma colega por usar um vestido curto?

Segunda-feira, Novembro 02, 2009

I know, what I know


Acho que pode estar na altura de mudar de rumo.